Estresse no trabalho: Qual a real causa

 O excesso na carga de trabalho nem sempre é o principal causador de estresse em profissionais, de acordo com pesquisas recentes. Cometer erros, ter conversas difíceis e estar em uma função que não se encaixa no perfil da pessoa são fatores que alimentam o estresse e podem até aumentar as chances de burnout.

Um levantamento da Deloitte Greenhouse Experience, divisão de pesquisa da consultoria, consultou mais de 23 mil profissionais de 1.300 organizações de 120 países sobre a frequência com que eles sentem estresse no trabalho e os principais motivos. A maioria dos respondentes disse sentir estresse de vez em quando (57%), e 25% reportou se sentir assim com frequência.
 

 
De longe, a situação mais estressante para os participantes foi descobrir que cometeu um erro (82%). Carga de trabalho excessiva, expediente mais longo e a necessidade de equilibrar diversas responsabilidades foram consideradas fonte de estresse para 52% — mesma quantidade de pessoas que citaram momentos de conflito como ser repreendido ou ter que comunicar uma mensagem difícil para outras pessoas. Situações de urgência, como um prazo apertado ou projetos críticos aumentam o estresse em 46% dos profissionais, número parecido (45%) dos que destacaram interações pessoais importantes, como fazer uma apresentação ou conhecer um cliente relevante pela primeira vez.

“Nem todos sentem estresse da mesma forma ou na mesma intensidade, e isso depende do estilo de trabalhar e das preferências das pessoas”, diz Kim Christfort, diretora da Deloitte’s Greenhouse Experience. “Para líderes, entender o que motiva os funcionários pode ajudar a resolver conflitos no ambiente de trabalho e levar a equipes com resultados melhores.”
 

 
Outro estudo, esse realizado por professores de psicologia da Universidade de Zurique, na Suíça, e da Universidade de Leipzig, na Alemanha, identificou que o risco de burnout é intensificado pela falta de alinhamento entre o perfil de uma pessoa e as demandas e oportunidades do trabalho que ela exerce.

Por meio de experimentos com 97 profissionais suíços, os professores viram que quanto maior a diferença entre o que é exigido de um emprego e as “necessidades inconscientes” dos profissionais — como a aptidão para assumir responsabilidades, negociar e a necessidade de criar relações pessoais positivas — maior o risco de burnout. Sintomas físicos da doença, como dor de cabeça, dor no peito e falta de ar, se tornam mais comuns entre os profissionais na medida em que a falta de alinhamento entre o comportamento deles e as exigências do emprego aumenta.

Para Veronika Brandstätter, da Universidade de Zurique, o estudo destaca a importância de empresas analisarem candidatos a emprego de maneira a promover um encaixe entre o perfil comportamental dos profissionais e as exigências da vaga. Já funcionários que percebam esse desalinhamento podem recorrer a tentativas de modificar sua maneira de trabalhar para ela se adequar mais ao seu perfil. “Por exemplo, alguém com forte necessidade de se relacionar com os outros pode procurar maneiras de trabalhar mais em equipe”, diz.

Fonte: Valor Econômico, por Letícia Arcoverde