Por: *Vivaldo José Breternitz
e **Antônio César Galhardi


A marca que simboliza uma era tecnológica, quando DVDs e fitas VHS eram o que havia em matéria de entretenimento no lar, está perto do fim: a última Blockbuster da Austrália, que ficava em Morley, perto de Perth, no oeste do país, não aluga mais filmes desde 7 de março. A loja sobreviveu em tempos de Netflix porque o acesso à internet fixa no país é caro e instável. Agora, restará apenas uma loja no mundo, localizada nos Estados Unidos.”Foi uma ótima jornada, mas todas as coisas boas chegam ao fim”, escreve a página da Blockbuster Morley no Facebook. A partir do dia 8, ela colocou tudo à venda: DVDs, Blu-rays, cartazes, móveis e prateleiras.

No ano passado, ainda existiam cinco unidades da Blockbuster na Austrália, que foram fechando aos poucos; no país, só havia sobrado a de Morley — mas nem ela sobreviveu. Ainda existe um site oficial da Blockbuster para a Austrália, listando filmes como Creed II, Nasce uma Estrela e Animais Fantásticos: os Crimes de Grindelwald que seriam lançados em março.

Os preços de internet fixa ainda são altos na Austrália, assim como o número de reclamações com as operadoras — mas parece que o streaming venceu mesmo assim. A velocidade média no país é de 33,3 Mb/s, contra 29,8 Mb/s no Brasil, segundo o portal Ookla.

Agora, só resta uma Blockbuster no mundo – fica em Bend, Oregon, nos Estados Unidos. No ano passado, as duas últimas lojas da Blockbuster no Alasca — localizadas nas cidades de Anchorage e Fairbanks — encerraram suas atividades. Elas sobreviviam pelo mesmo motivo: nesse estado americano, o acesso à internet é caro e lento.

No Brasil, a Blockbuster abriu suas primeiras lojas em 1995; suas operações foram adquiridas em 2006 pelas Lojas Americanas. Sem alarde, a marca deixou de ser usada por aqui nos últimos anos. O site oficial blockbuster.com.br foi desativado em outubro de 2016, segundo o portal Internet Archive.

*Vivaldo José Breternitz : é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

**Antônio César Galhardi : é Doutor em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual de Campinas, é professor do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza.