Déficit da previdência: Quais os desafios enfrentados por quem escolhe viver apenas do INSS?

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A Previdência Social voltou aos holofotes brasileiros nas últimas semanas ao ser citada como uma das possíveis fontes de financiamento do Renda Brasil, novo programa assistencial do governo Jair Bolsonaro.

Sem surpresas, a proposta foi declinada, uma vez que o rombo da Previdência está maior a cada ano.

Segundo dados divulgados pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, até junho de 2020 o déficit da Previdência acumulado no ano somava R$ 215 bilhões. Para se ter uma ideia, em 2019, o déficit previdenciário acumulou R$ 182,4 bilhões e as despesas corresponderam a 8,59% do PIB.

Apesar de os números serem impactantes, grande parte dos brasileiros ainda não sabem como eles podem interferir no futuro de suas aposentadorias.

Para esclarecer dúvidas e apresentar opções financeiramente sustentáveis, a Capital Research divulgou recentemente um relatório assinado pelo analista Rafael Amaral sobre fundos de investimentos com foco em Previdência.

Reforma da Previdência

Em novembro de 2019, o governo Bolsonaro conseguiu aprovar e promulgar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência, também conhecida como reforma da Previdência.

Em linhas gerais, o texto determinou que os trabalhadores brasileiros terão que passar mais anos “na ativa” antes de se aposentar, a forma encontrada pelo governo para tentar dar mais equilíbrio ao sistema previdenciário.

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira está envelhecendo de forma rápida e a projeção para 2060 é de que mais de ¼ da população seja representada por idosos.

“Em 1980, o Brasil tinha 9,2 pessoas ativas para cada idoso. Em 2060, essa relação vai desabar para 1,6.

Nesse contexto, a projeção da proporção de trabalhadores ativos para cada idoso é alarmante”, explica o analista Rafael Amaral.

Outro dado relevante é o de que a expectativa de vida no país aumentou significativamente, incluindo a sobrevida de pessoas acima de 60 anos.

Diante desse cenário, depender exclusivamente da Previdência Social não representa uma boa escolha, ainda mais considerando que as regras podem mudar a qualquer momento.

Com o envelhecimento da população e o constante déficit da Previdência, é essencial que as pessoas comecem desde cedo a se planejar financeiramente para conseguir manter o padrão de vida desejado após a aposentadoria. Mas, infelizmente, esta não é uma realidade para a maioria dos brasileiros.

Aposentadoria: gastos subestimados e falta de planejamento

Um estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) realizado em 2018 revelou que nove em cada dez idosos contribuem com o orçamento familiar, e destacou que 47% dos entrevistados se prepararam ou ainda se preparam para a aposentadoria por meio da contribuição ao INSS.

Além disso, entre os que se planejaram para a aposentadoria, três em cada dez admitiram nunca ter guardado dinheiro exclusivamente para esta finalidade. Isso se deve em parte pela falta de conscientização em relação à importância do planejamento e a uma subestimação dos gastos durante esse período.

Já segundo dados do último Raio-X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 89% dos entrevistados aposentados tiveram suas despesas iguais ou aumentadas, e quase 90% dos aposentados precisam da previdência pública para sobreviver.

“As pessoas minimizam os gastos da aposentadoria e dependem demasiadamente da previdência pública.

Atualmente, com o teto do INSS de aproximadamente R$ 6 mil, a vasta maioria das pessoas não consegue manter seu padrão de vida na aposentadoria, além de colocar todas suas fichas em um modelo instável que pode sofrer alterações durante o percurso”, ressalta Amaral.

GOLPE

Diante de um cenário tão desafiador, o especialista em fundos de investimento da Capital Research, Rafael Amaral, destaca que é possível se preparar financeiramente para ter uma aposentadoria tranquila e que não dependa exclusivamente do INSS. E essa alternativa passa por decisões simples, que devem ser tomadas o quanto antes.

Segundo consta no relatório divulgado recentemente pela casa de análises, atualmente, mais de 75% dos fundos de previdência privada são de renda fixa.

De acordo com o analista, com a taxa de juros na mínima histórica no Brasil e um novo cenário de taxas reduzidas ao redor do mundo, a manutenção dessa concentração da previdência é um problema latente no mercado de investimentos: “Hoje o que vemos, além da superconcentração em ativos de renda fixa, o que não faz sentido dado o horizonte de investimento e objetivo desses fundos, são fundos com taxas elevadas e péssimas performances”.

Rafael Amaral ressalta que, entre os principais pontos negativos, estão os fundos de renda fixa de previdência que cobram mais de 1% de taxa de administração e os que performam consistentemente abaixo do CDI.

E agora, em que investir?

Felizmente para o investidor que deseja se preparar melhor para sua aposentadoria, o mercado de fundos de previdência está em plena expansão. Só em 2020, mais de 250 fundos foram lançados e a tendência é que essa competição traga produtos e gestores inovadores para os investidores. Mas diante de tantos opções, como escolher o que mais se adequa a cada perfil?

No relatório, o analista da Capital Research indica dois produtos de previdência privada que são investimentos mais eficazes para objetivos de longo prazo: o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres).

“Hoje o modelo tributário desses produtos é flexível e você pode escolher o que se enquadra melhor ao seu perfil.

Por exemplo, o PGBL é recomendado para pessoas que declaram o IR pelo modelo completo, isto pela fato de o investidor poder abater parte do valor investido da base de cálculo do IR”, explica.

Entre as vantagens dos ativos, Amaral destaca ainda a possibilidade de planejamento sucessório e a não incidência do “come-cotas”, antecipação do imposto de renda que afeta diferentes tipos de fundos de investimento.

Entretanto, o analista alerta que a escolha do plano não deve considerar apenas os benefícios oferecidos: “Hoje, o que vemos no mercado são planos de previdência privada que perdem sua atratividade justamente pelo alto custo e performance insatisfatórios.

O investidor deve investir em fundos com política e objetivo de investimentos compatíveis com o seu horizonte de investimento, que é de longo prazo.

Além disso, deve evitar produtos com taxas de administração e de carregamento altas, porque elas acabam corroendo a rentabilidade real”.

Já investidores com perfil mais agressivo, por exemplo, podem optar por fundos de renda variável das assets: Brasil Capital, Equitas, Real Investor, Indie e Trigono, que estão na carteira de fundos da Capital Research.

Há ainda a Onze Investimentos, primeira Prevtech do Brasil, que lançou seu primeiro fundo de previdência há pouco tempo e com condições vantajosas, na opinião do especialista.

“Relembrando que é possível realizar a portabilidade do seu plano atual sem precisar resgatar e pagar imposto de renda.

Com isso, não existem desculpas para não se preparar para a aposentadoria e sim, centenas de razões para começar o quanto antes”, finaliza Rafael Amaral.

Por Capital Research pertence ao grupo Red Ventures, que conta com um portfólio de empresas digitais nas indústrias de educação, saúde, home service e serviços financeiros