Emprego doméstico remunerado cai 23% no quarto trimestre de 2020

0

A população ocupada em trabalhos domésticos remunerados está encontrando menos oportunidades de emprego. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a quantidade de pessoas empregadas no setor caiu de 6,4 milhões, no quarto trimestre de 2019, para 4,9 milhões no mesmo período do ano passado.

Cena do documentário “Doméstica”, de Gabriel Mascaro, que investiga dinâmica da profissão e sua presença nos lares brasileiros / Reprodução

A queda, de 23,4%, é superior à diminuição de ocupação no quadro geral no país: no quarto trimestre de 2019, haviam 94,5 milhões de pessoas ocupadas no Brasil; já no mesmo período de 2020, esse número era de 86,2 milhões, uma queda de 8,7%.

Os dados do Dieese, divulgados hoje (27), são baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o levantamento, aumentou a proporção de trabalhadores domésticos remunerados sem carteira de trabalho: eram 73% no quarto trimestre de 2019 e passaram a ser 75% no mesmo período de 2020. A proporção dos empregados do setor que contribuíam com a Previdência Social também diminuiu: de 37,5%, no quarto trimestre de 2019, para 35,6%, no mesmo período de 2020.

O rendimento médio mensal do trabalhador doméstico remunerado caiu de R$ 924 (quarto trimestre de 2019) para R$ 876 (mesmo período de 2020). Houve queda em todas as regiões, exceto na Região Norte, onde ficou estável. Segundo o Dieese, os trabalhadores informais ganham 40% menos do que os formais e os negros recebem, em média, 15% menos.

Segundo o levantamento do Dieese, do total de trabalhadores ocupados no trabalho doméstico remunerado, 92% são mulheres, das quais 65% são negras. No quarto trimestre de 2020, as domésticas chefes de família eram 52,4%; no mesmo período de 2019, eram 51,2%. 

Fonte Agência Brasil – Bruno Bocchini