Estar no “vermelho” tem sido uma situação recorrente para as famílias brasileiras. Dados divulgados pelo Banco Central em julho de 2019 mostram que, aproximadamente 69% das famílias brasileiras se encontram endividadas. Uma consequência ruim desse alto percentual é que as famílias não se preocupam tanto com o endividamento, pois estão entre a grande maioria dos brasileiros atuais, afinal “se 70% das famílias estão endividadas, é normal ser um devedor, não?”. Esse é o principal fator que vamos combater no artigo de hoje, onde te daremos dicas de como sair do vermelho e equilibrar suas finanças pessoais.

Se a sua família se encontra entre os 69% divulgados pelo Banco Central, a primeira coisa que deve ser feita é a comunicação. A família inteira deve estar ciente da situação financeira para que todos, em conjunto, possam ajudar de alguma forma na reestruturação que está por vir, afinal, não adianta nada você se educar financeiramente e começar a seguir bons hábitos com o dinheiro, mas o seu cônjuge continua um gastador excepcional, não é mesmo?

Essa transparência financeira facilitará no processo que vamos te ajudar a montar no decorrer desse artigo, fazendo com que cortes de gastos supérfluos como: comer fora todo fim de semana, ter TV por assinatura e plataformas de streaming ao mesmo tempo, uso sem controle dos cartões de crédito e gastos estratosféricos com estética fiquem mais fáceis de serem evitados, visto que toda a família estará engajada no objetivo de sair das dívidas. Outro fator importante da transparência é ela fará com que toda a família fique animada ao ver que os esforços feitos estão causando impacto positivo no orçamento, afinal, o ser humano é movido a resultados.

Sem mais delongas, vamos à prática! Você precisa montar um fluxo de caixa familiar! O fluxo de caixa é uma ferramenta utilizada por empresas e pessoas físicas que te ajuda a saber para onde e quando os seus recursos estão indo, além de te mostrar qual é o montante desses recursos. Com um fluxo de caixa bem estruturado e verdadeiro, você e sua família terão:

  1. Previsibilidade de Caixa: saber quando irão ocorrer maiores gastos e maiores receitas e agir antecipadamente para eles.
  2. Fluxo de Recursos: é muito comum famílias que não tinham fluxo de caixa se assustarem quando montam um, isso se deve ao fato de que sempre negligenciamos algum gasto, achando que ele não representa tanto no nosso orçamento, porém, quando colocamos na ponta do lápis, vemos o impacto negativo que ele gera.
  3. Alinhamento à Investimentos: tendo um fluxo de caixa positivo (sobrando dinheiro) você consegue saber o quanto vai ser destinado para a formação de reservas financeiras para o futuro, afinal, você não trabalhará para o resto da vida e precisa guardar recursos para quando a sua força de trabalho ou o seu posicionamento de mercado não forem mais tão altos.

Para montar o fluxo de caixa, vou usar como exemplo o Excel, porém, caso você não tenha uma planilha, pode fazer numa folha de papel. Caso opte por fazer na folha, aconselho o uso de uma folha A3 para poder aproveitar melhor os espaços e ter uma visão de todos os meses do ano. 

Em uma linha da planilha, comece listando todos os meses do ano; e numa coluna coloque o título “Despesas”. Vamos chamar de despesas aqueles gastos essenciais para a sobrevivência da sua família. Tome cuidado aqui, pois as pessoas costumam associar gastos com lazer, como não sendo essenciais à sobrevivência. Penso que alguns lazeres devem ser vistos como essenciais, pois é importante que a família esteja feliz para estar motivada a atingir os objetivos estipulados e para aliviar o psicológicos dos integrantes da família.

Dentro de despesas, vamos agrupar os gastos em “grupos de gastos”:

  1. Habitação: Conta de Água, Aluguel, Telefone, Gás, Condomínio, IPTU, Taxas Municipais, Internet, Supermercado, Feira, Padaria, Empregados, Lavanderia, conta de luz e afins. 
  2. Saúde: Academia, Plano de Saúde, Tratamentos, Medicamentos, Consultas Médicas, Terapeutas, Dentista e afins.
  3. Lazer: Restaurantes/ Cafés, Bares, Livrarias/jornais, Streaming, Videogame, Passagens, Hospedagens, Passeios, Viagens, Presentes e afins.
  4. Transporte: Ônibus, Uber, Táxi, Prestação de Automóvel, Aluguel de Automóvel, Estacionamentos, IPVA, Seguro Obrigatório, Seguro Privado, Combustível, Lavagens, Multas e afins.
  5. Educação: Cursos, Escola, Faculdade, Material Escolar, Uniformes e afins.
  6. Pessoais: Higiene Pessoal, Cabeleireiro, Cosméticos, Vestuário, Fatura de Celular e afins.
  7. Outros: Tarifas Bancárias, Anuidades de Cartão de Crédito, Pensões, Gorjetas, Doações e afins.

 Vale ressaltar que uma planilha de fluxo de caixa é totalmente pessoal e deve ser adequada à sua realidade. Seu preenchimento completo irá te beneficiar bastante, então todo trabalho valerá à pena.

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Após montar essa estrutura e listar seus gastos, você terá uma visão de quanto gasta em cada um desses “grupos de gastos”, podendo tomar melhores decisões de corte de gastos. 

Por exemplo, se o grupo “Transporte” possui um gasto muito elevado, que tal começar a andar de Ônibus ao invés de uber ou carro próprio? Você poderia alugar o seu carro para alguém dirigir como Uber, tendo assim uma renda passiva, e usar o coletivo para os seus deslocamentos. Vale ainda a opção de vender seu carro atual e comprar um mais barato e econômico, caso você não consiga efetuar seus deslocamentos de ônibus. 

Se o grupo “Habitação” está muito oneroso, proponha uma utilização mais racional da água e luz! Uma boa maneira de fazer isso é utilizando a maior demanda de luz em momentos de menos demanda coletiva (quando a energia elétrica é mais barata) de 12:00 às 16:00, por exemplo; quanto a água, banhos curtos e lavagem de roupas somente aos fins de semana são ótima dicas. Como esse grupo de gastos possui muitas possibilidades de cortes, você e sua família devem responder às seguintes perguntas:

“Consigo um aluguel mais barato?”

“Consigo fazer as compras mensais em um supermercado mais barato?”

“Podemos optar por um plano de internet mais acessível?”

Caso as respostas tenham sido “Sim” há margem para redução dos custos familiares, então estude as possibilidades de mudanças. Perguntas como essas podem ser feitas para todos os grupos de gastos, e, na maioria das vezes, você verá que existem possibilidades mais baratas, mas que foram negligenciadas quando a família estava em um bom momento financeiro devido a falsa ideia de que estava tudo sob controle.

Agora, se você é uma pessoa que possui dívidas mais complexas com credores maiores, como bancos, financeiras, seguradores e afins, o ideal é estudar a possibilidade de substituição de dívidas.

  Substituir uma dívida é a tática utilizada para “trocar” uma dívida mais cara, por uma dívida mais barata. 

Se você tem um saldo devedor de algum empréstimo ou financiamento, no valor de 50.000 R$ por exemplo e com juros de 15% a.a, e encontra um outro empréstimo no valor do seu saldo devedor da outra dívida com juros menores que 15% a.a. e com parcelas pagáveis, pegue o empréstimo e pague o empréstimo atual. Você substituiu uma dívida mais cara, por uma mais barata. 

Claro que, essa segunda dívida, provavelmente vai alongar o prazo de endividamento, ou seja, você ficará mais meses pagando, visto que está iniciando um novo empréstimo, porém vai conseguir pagar mais barato ou em melhores condições. 

Hoje em dia, com o avanço tecnológico e o “boom” das fintechs, é possível conseguir crédito em condições adversas pagando valores bem menores do que os pagos nos grandes bancos.

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Essas são as nossas dicas para vocês começarem a reestruturarem a vida financeira de vocês! Lembrem-se que é necessário esforço e dedicação nessa tarefa, é uma verdadeira “guerra às dívidas”, que sendo feito da maneira correta, logo logo vocês estarão em um patamar financeiro mais equilibrado e, possivelmente, com mais experiências para controlar o dinheiro futuramente.