Impactos da síndrome de burnout no seu desempenho no trabalho

Especialista comenta sobre como atingir o bem-estar no trabalho diante de uma alta demanda em tempos de home office permanente.

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Em meio à pandemia, muitas empresas tiveram que reduzir seus custos para conseguir sobreviver, e por consequência, reduzir o quadro de funcionários acabou se tornando algo frequente.

Com isso, muitos profissionais acabam sendo sobrecarregados, e é neste momento que se pode observar uma queda na produtividade, estresse e sintomas da síndrome de burnout, por exemplo.  

Rebeca Toyama, especialista em estratégia de carreira, comenta a importância do bem-estar relacionado ao ambiente de trabalho e suas exigências, e traz 5 dicas para reduzir o estresse e voltar a sentir felicidade no trabalho, diante da rotina do home office e sem perspectivas de um retorno à vida profissional em escritórios comuns com integração entre as equipes de trabalho.

De acordo com uma pesquisa do Instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial e cedida à BBC News Brasil, 53% dos brasileiros declararam que seu bem-estar mental piorou um pouco ou muito no último ano, na vida sob pandemia.

E essa porcentagem é maior em quatro países como Itália (54%), Hungria e Chile (56%), e Turquia (61%).

Com isso, a especialista em estratégia de carreira comenta que problemas de saúde mental já eram presentes anos antes da pandemia, mas tem se intensificado por conta do isolamento, nível de estresse e medo das pessoas.

E o trabalho pode piorar bastante esse cenário.

“O home office aqui no Brasil veio como algo avassalador, muitos profissionais nunca tinham tido contato com essa modalidade e tiveram que se reorganizar em meio à confusão para se adaptar à nova realidade. E ainda existe o fator de redução de funcionários, onde profissionais se veem produzindo em dobro. O papel das empresas é repensar e inovar alguns hábitos e dar uma atenção especial também à saúde mental dos colaboradores.”, comenta Rebeca Toyama, especialista em estratégia de carreira.

Segundo o relatório ‘A evolução do Burnout’ produzido em 2020 pela Blind, mostra que 73% dos profissionais afirmaram sofrer com o burnout.

Para 27% dos entrevistados, os principais motivos eram não ter separação entre ‘trabalho’ e ‘vida’, seguido de 20,5% por carga de trabalho incontrolável, e 19% preocupações com a segurança no emprego. 

Para a especialista, nem sempre é fácil perceber de primeira a síndrome de burnout, já que os primeiros sinais da doença não se manifestam de maneira intensa.

Mas, dentre os variados sintomas apresentados pela doença, tendo como principal consequência a queda de produtividade, é comum observar falta de concentração, sentimento de fracasso, insegurança e alterações repentinas de humor.

“O Burnout não é algo tão específico como uma gripe ou qualquer outra doença onde se é possível identificar nos primeiros sintomas, ele começa com a ausência de disposição, e com o passar do tempo outros sintomas físicos e psicológicos vão surgindo, como pressão alta, insônia, dor de cabeça e entre outros. Por isso, é de suma importância os líderes estarem atentos para preveni-lo.”, ressalta Toyama.

Felicidade no trabalho, como atingi-la?

Um dos fatores que reduzem o burnout é a promoção de bem-estar dentro do trabalho, todos sabemos que colaboradores satisfeitos tem sua produtividade e dedicação elevados, a promoção do bem-estar é um dos principais geradores de motivação para a equipe.

A qualidade de vida, que é o que costuma trazer felicidade ao trabalho, não só beneficia a equipe, mas também as empresas, pois com um colaborador engajado as organizações conseguem elevar também seus lucros e resultados.

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De acordo com o relatório ‘Felicidade Mundial’, elaborado pela Gallup World Poll, a COVID-19 afetou a felicidade, a saúde mental, as conexões sociais e os locais de trabalho, e mostra que as mudanças nas condições e culturas do local de trabalho, provocadas pela crise, provavelmente terão impactos duradouros.

O relatório ainda revela que os trabalhadores passaram a valorizar a flexibilidade de tempo e localização, mas por outro lado, a relevância do papel dos gerentes também cresceu em um grau ainda maior.

As pesquisas mostram que quanto mais os colaboradores trabalharem em casa, maior é a probabilidade de dependerem do contato frequente de seus supervisores.

Segundo Rebeca, mesmo antes da pandemia muitas empresas não cultivavam ambientes que promovessem o bem-estar para os colaboradores, e agora com todos os funcionários em teletrabalho, esse é o momento para alinhar todos os canais para conseguir uma boa comunicação entre os gestores e os colaboradores, porque esse é um dos principais fatores que pode causar estresse e queda na produtividade. 

“É importante ressaltar que a felicidade no trabalho começa quando um profissional consegue entender a importância de seu papel na equipe e enxergar que seu trabalho está alinhado com algo maior, como por exemplo: seu propósito de vida. Mas, um fator que incentiva a felicidade é estar em alguma empresa que valorize o bem-estar e incentive um estilo de vida saudável.”, finaliza Toyama.

E para ajudar a trazer bem-estar no trabalho, a especialista em estratégia de carreira, Rebeca Toyama, preparou 5 dicas.

1. No início ou final do dia anote seu pior e melhor momento, após algum tempo de anotações, você terá uma lista de estressores e promotores bem-estar reveladora;

2. Semanalmente analise sua lista, evite deixar passar muito tempo, para que os estressores não integrem de forma definitiva em seu estilo de vida, lembre-se que eles nem sempre existiram na sua rotina;

3. Dentre os estressores, verifique quais estão relacionados à escassez de tempo ou recurso material e busque estratégias para solucionar essa questão;

4. Os demais estressores, provavelmente, estarão ligados aos relacionamentos. Aqui a reflexão é mais profunda e a solução mais complexa, mas o primeiro passo é entender o motivo pelo qual alguns seres humanos, entre tantos outros, possuem tanta influência sobre sua qualidade de vida;

5. Essa é minha dica favorita, gaste mais tempo analisando sua lista de melhores momentos para aprender o que lhe dá prazer, e comece a criar um estilo de vida que te leve ao encontro do bem-estar. Não responsabilize seu trabalho por lhe trazer tudo de bom que a vida tem para oferecer.

Por: Rebeca Toyama, fundadora da ACI que integra competências e inteligências e transforma propósitos em carreiras e negócios. Especialista em estratégia de carreira e bem-estar financeiro. Possui formações em administração, marketing e tecnologia. Especialista e mestranda em psicologia. Atua há 20 anos como coach, mentora, palestrante, empreendedora e professora. Colaboradora do livro Tratado de psicologia transpessoal: perspectivas atuais em psicologia: Volume 2; Coaching Aceleração de Resultados e Coaching para Executivos. Integra o corpo docente da pós-graduação da ALUBRAT (Associação Luso-Brasileira de Transpessoal), da Universidade Fenabrave, do Instituto Filantropia, e da Academia GFAI.

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