Investimentos no exterior crescem com a desvalorização do Real

Para proteger seu patrimônio das oscilações cambiais, brasileiros investem em aplicações internacionais

A desvalorização do Real, a alta do Dólar e a elevação constante da inflação e dos juros são os principais motivos que levam brasileiros a procurarem meios para investir seu dinheiro do exterior. Assim como no Brasil, as operações precisam ser realizadas por intermédio de corretoras habilitadas e, embora os retornos sejam mais consistentes, os riscos também são maiores.

Por lá também há mais alternativas de aplicação e o ambiente político tem menos interferência no mercado, permitindo planejamentos de longo prazo. Destaque para o crescimento das empresas de tecnologia – quase todas mantém seus capitais abertos em bolsas internacionais e se orientam com base em um índice especial: o Nasdaq (National Association of Securities Dealers Automated Quotations). Diferente de uma bolsa de valores, o Nasdaq é um indicador automatizado que atua de acordo com o desempenho das empresas que ele mantém em sua lista, como uma associação.

Cerca de 5 mil empresas mantêm seus ativos nas bolsas de valores americanas – quase a metade de todo o mercado de ações do mundo. Com tantas alternativas na carteira é possível até acessar o mercado europeu e chinês.

Como investir no exterior?

O primeiro passo para quem quer começar a investir lá fora é estudar o tipo de aplicação e atentar para os valores das taxas, que também serão cobradas em moeda estrangeira. Também será preciso incluir esse investimento na Declaração do Imposto de Renda, dependendo do valor que será enviado para fora, e informar ao Banco Central a existência de patrimônio internacional.

Nem toda aplicação exige que seja feita uma transferência internacional, por isso é possível começar sem dolarizar o investimento. No Brasil é possível dar início com operações do tipo BDR, ETF, COE e Fundos de Investimentos nas corretoras locais. Já para operar diretamente no mercado americano, é preciso contar com corretoras internacionais.

  • Fundos de Investimentos: é possível começar aqui no Brasil, que já possui cerca de 100 fundos internacionais em atuação. Por lá também existem fundos temáticos, como ESG (sustentabilidade), fundo ouro e até fundo cannabis.
  • BDR (Brazilian Depositary Receipts): esses certificados representam ações emitidas por empresas no exterior, mas negociados aqui no pregão da B3. Eles permitem investir em ativos estrangeiros sem tirar o capital do Brasil e podem ser convertidos em ações a qualquer momento.
  • ETF (Exchange-Traded Funds): esse é o nome dado aos chamados fundos de índices que procuram replicar fielmente a carteira de um índice, acompanhando o seu desempenho. As cotas dos ETFs são negociadas no pregão do mesmo jeito que uma ação individual. A diferença é que cada uma dessas cotas representa uma carteira com dezenas de papéis incluídos.
  • COE (Certificados de Operações Estruturadas): esse tipo de investimento mescla características de renda fixa com renda variável. Como no caso dos BDRs, investir em um COE não exige enviar o dinheiro para o exterior e tem como principal vantagem a proteção do prejuízo – mesmo que os ativos aos quais o COE está ligado tenham perdas, o investidor recebe de volta o quanto aplicou inicialmente.

Investindo diretamente no mercado internacional

Agora, se a ideia é investir diretamente no mercado internacional o primeiro-passo é abrir uma conta em uma corretora de lá. Passaporte, cópia de comprovante de endereço, RG ou carteira de motorista e declaração de imposto de renda são os documentos necessários.

Já para fazer uma remessa de valores e começar a operar, é preciso utilizar um banco ou corretora de câmbio autorizados pelo Banco Central. O Guia do Investidor destaca algumas corretoras como a Ameritrade, a Interactive Brokers, a Passfolio e a Avenue (em português e faz a remessa de dinheiro para o cliente).

Vale lembrar que quem aplica em renda variável nos EUA como pessoa física paga Imposto de Renda. A alíquota incide sobre o lucro obtido lá e o pagamento é feito no mês seguinte no Brasil com um Darf (documento de arrecadação de receitas federais).

Ameritrade: a taxa corretagem é zero para a bolsa de Nova Iorque e isso vale tanto para ações quanto para ETFs. O atendimento é 24 horas, mas apenas em inglês. O envio de documento pode ser feito por e-mail. www.tdameritrade.com/

Interactive: é uma das corretoras mais tradicionais do mercado americano e dá acesso a 135 mercados globais, em 33 países diferentes. Para abrir uma conta o processo é mais burocrático e o atendimento é feito em inglês e espanhol. www.interactivebrokers.com/en/home.php

Passfolio: possui em sua lista cerca de 170 países e a negociação das ações dos EUA é feita exclusivamente pelo seu aplicativo para celular. A corretora não tem taxa e é possível começar com uma compra mínima de apenas US$ 1. Há suporte em português e permite depósitos via Transferwise e Remessa Online. https://passfolio.us

-Avenue: é uma corretora dos EUA, mas criada exclusivamente para atender brasileiros. Lançou, recentemente, um novo plano de corretagem taxa zero, mas não permite a compra de ações Micro Caps, com valor baixo de capitalização de mercado. Além disso, alguns ETFs específicos não estão disponíveis na plataforma. A vantagem é que há um suporte em português e é possível efetuar a conversão de valores diretamente na plataforma, via TED. Ou fazer depósitos via Transferwise e Remessa Online. https://www.avenue.us/

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