Novos meios de pagamento: Será o fim do dinheiro e do cartão?

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O filme ‘De Volta para o Futuro II’ é um clássico sempre lembrado.

A obra, lançada na década de 1980, mostra o nosso futuro em 2015, um cenário cheio de novidades que aguardávamos ansiosos, como os carros voadores.

Apesar de não vivenciarmos isso ainda, o filme chegou bem perto ao mostrar outras coisas que já fazem ou logo farão parte da nossa realidade, como os meios de pagamento sem dinheiro ou cartão.

Na narrativa, o vilão paga um táxi utilizando apenas a sua impressão digital – e os aplicativos de transporte confirmaram isso.

Mas, será que, como na ficção, vamos realmente eliminar o dinheiro vivo e o cartão das nossas vidas?

Na minha opinião, ainda é prematuro afirmar.

Uma migração assim precisa passar por várias fases, regulações, sistemas de segurança e, principalmente, por uma transformação cultural de consumidores e estabelecimentos comerciais.

Recentemente, acompanhamos a entrada do WhatsApp nesse segmento, com as notícias da parceria entre seu dono, o Facebook, e a Cielo.

Essa união obteve a bênção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas ainda falta a aprovação do Banco Central.

De concreto nesse momento é a chegada do PIX, como comentamos no artigo anterior.

O meio de pagamento instantâneo anunciado pelo BC permitirá a realização de transferências e pagamentos em até dez segundos.

Todos os bancos, como o BMG, e fintechs com mais de 500 mil contas ativas estão se adequando para oferecer e receber o serviço.

Assim como o WhatsApp Pay, o PIX funcionará pelo celular: as operações serão feitas via geração e escaneamento de QR Code.

Ou seja, muito em breve os pagamentos e transferências por meio de TEDs e DOCs, boletos e transações físicas por cartões ou com dinheiro deixarão de ser as únicas possibilidades.

O Pix estará logo mais nas máquinas da Bmg Granito e já enxergamos muitas oportunidades, como o fato dele agregar serviços, reduzindo o poder dos grandes bancos em limitar quais podem ser prestados ou não.

Além disso, o PIX é um arranjo próprio do BC, regulado, sem interesse privado e que busca criar isonomia no setor.

Características importantes que ainda não foram percebidas no WhatsApp Pay.

Como ferramenta de comunicação rápida, não há dúvidas sobre a eficiência do WhatsApp.

O receio reside no aplicativo como meio de pagamento, pois é um arranjo fechado, com 120 milhões de usuários que já utilizam o app de mensagens instantâneas e que pertence a uma empresa privada, com interesses privados.

Ou seja, ele pode não respeitar a isonomia entre os participantes.

Por essa e outras questões, precisa ser regulado e ser complementar ao PIX, e não um concorrente.

Se dois sistemas concorrentes são criados, ao invés de dividir para conquistar, você divide para não acontecer.

Primeiro é necessário um sistema único para poder ganhar penetração de mercado.

Depois disso, se fizer sentido, entra a concorrência.

Mas, começar com vários players é ruim, você divide esforços.

Muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte e precisamos acompanhar como outros países, como a China, estão se saindo com essas “modernidades”.

Sendo assim, considerando a entrada do WhatsApp, PIX e outros players nesse segmento, será o fim do dinheiro e do cartão? Pode até ser, mas não somente por conta da tecnologia.

Essas novas ferramentas são alternativas aos meios que conhecemos, mas não acredito que vão substituí-los tão cedo.

Para isso acontecer, é preciso mudar hábitos e processos, o que pode ser mais demorado.

Mas, uma coisa é certa, a segurança financeira para quem compra e para quem vende é o que vai pautar nosso caminho para o futuro de fato.

E nós estamos trabalhando para isso.

Por Rodrigo Luiz Teixeira