A taxa Selic, a taxa básica de juros, é um assunto recorrente no cenário econômico. Em junho, o Copom manteve a taxa em 6,5% pela décima vez seguida. Mas a previsão é de queda. Segundo a pesquisa Focus, do Banco Central, a expectativa do mercado é que até o fim de 2019 ela caia para 5,50%. Para 2020, a estimativa também recuou, de 6,50% para 6,00%. Mas, como a Selic afeta os diferentes tipos de investimento?

Para saber como lidar melhor com a taxa Selic e suas flutuações, especialistas da Magnetis, primeira fintech de gestão de investimentos fundada no Brasil, explicam como ela interfere nos investimentos e como escolher onde investir com a previsão de queda para os próximos meses.

Como a Selic afeta os investimentos?

Além de influenciar a economia, a taxa Selic afeta diretamente os investimentos. Na renda fixa, por exemplo, essa relação é direta, já que as taxas de juros são usadas como referência para a remuneração das aplicações de renda fixa.

Já na renda variável, como nas ações, a relação se dá em grande parte por causa da influência da taxa básica de juros na economia.Para compreender melhor, selecionamos alguns investimentos e como investir neles sem que a taxa Selic interfira na lucratividade.

Renda fixa

Os investimentos em renda fixa são, em sua maioria, atrelados a taxas de juros. Por isso, mudanças na Selic afetam diretamente o quanto cada um desses investimentos rende. Com o cenário de queda, os investimentos em renda fixa tendem a perder rentabilidade.

Aplicações pós-fixadas dependem da variação das taxas de juros durante o período do investimento. Isso vale, por exemplo, para o Tesouro Selic: quando a taxa Selic é alterada, a rentabilidade desse investimento automaticamente acompanha a mudança.

O mesmo se aplica para CDBs, LCIs e LCAs e outros títulos privados pós-fixados, que pagam porcentagens do CDI — taxa de juros que costuma acompanhar de perto a Selic e é cobrada em empréstimos entre bancos que usam títulos das próprias instituições financeiras como garantia para as operações.

Já no caso de títulos prefixados, a situação é um pouco diferente. Se você já comprou um título que paga, por exemplo, 10% ao ano, a variação da Selic não afeta aquele rendimento. O investidor poderá resgatar, no vencimento, o valor investido corrigido pela taxa combinada.

Se a pessoa ainda não investiu, porém, é preciso ficar atento: as taxas prefixadas oferecidas pelas instituições financeiras acompanham a expectativa da Selic para os próximos meses e anos, a chamada precificação do mercado. Uma situação fictícia ilustrativa é um cenário em que a Selic esteja em 7% ao ano e a expectativa seja de queda, por conta da recessão na economia; um CDB prefixado provavelmente pagará menos que 7% ao ano, antecipando a queda na taxa de juros.

Por isso, é bom ficar atento ao Boletim Focus, pesquisa realizada pelo Banco Central com os economistas das maiores instituições financeiras do país e publicada semanalmente, que traz a expectativa desses profissionais que acompanham o mercado para o futuro das taxas.

Por fim, há também investimentos em renda fixa que são atrelados aos índices de inflação. Nesse caso, é importante ter em mente que a Selic é um mecanismo de controle do índice de preços. Se a Selic cai, a tendência é que a inflação suba, e vice-versa.

Ações

A relação da Selic com investimentos em ações se dá de maneira indireta. Papéis de empresas não estão diretamente atrelados a taxas de juros, mas sofrem a influência das condições de mercado e da economia como um todo — que, são afetadas pela Selic.

Por isso, pode-se dizer que, ao menos em teoria, cenários de queda dos juros facilitam o acesso a crédito para as empresas investirem na produção e na contratação de mão de obra, bem como incentivam as pessoas a consumirem mais, fazendo a economia se aquecer, o que, por consequência, favorece a alta dos papéis.

O contrário também é verdadeiro: quando os juros sobem, fica mais caro obter crédito, e a economia reduz sua atividade. Dessa forma, a tendência é que as ações tenham quedas por causa dos maus resultados das empresas.

Como escolher o melhor investimento?

De maneira geral, é importante levar em consideração que a taxa Selic é um parâmetro para todos os investimentos da economia: só é aceitável tomar risco quando o retorno esperado é maior que a taxa básica de juros; do contrário, é melhor preferir um investimento mais conservador. Para isso, é recomendado fazer uma análise do cenário econômico e conhecer a fundo o perfil do investidor e as opções de produtos mais adequados.

Outro fator importante é ter uma carteira diversificada, com alocações em diferentes tipos de investimentos. A melhor distribuição dos recursos vai depender de vários fatores, como o perfil de risco do cliente, experiência com investimentos e prazo do objetivo. Antes de investir, pondere sobre as alternativas, compare as opções do mercado e identifique as que mais se encaixam com o seu perfil. Uma boa opção é procurar um especialista em investimentos para ajudar nas decisões. No site da Magnetis é possível criar um plano de investimento de forma gratuita.