Segundo dados da ABAC – Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, o sistema fechou 2019 com um crescimento em todos os seus indicadores, com destaque para a entrada de novos participantes, volume de negócios contratados e total de consorciados ativos.

Os resultados positivos do ano passado, apesar da influência dos cenários político e econômico do Brasil, confirmavam a maturidade do mecanismo e assinalavam boas perspectivas para 2020, que começou aquecido.

O setor de consórcio passou a representar 3,5% do PIB e o sistema tem uma representatividade bastante importante na comercialização de veículos automotores e também de imóveis.

Com o advento da pandemia, entretanto, o número de participantes ativos no mercado registrou uma redução de 2%, quando comparamos os dados de maio/2019 e maio/2020, de 7,26 milhões para 7,10 milhões, segundo informou a Paulo Rossi, presidente da ABAC durante o webinar “Pé no Freio ou no Acelerador: o impacto da pandemia no setor de consórcios e as alternativas para conter a inadimplência”, realizado no dia 15/07 pela VCOM Tecnologia e o CMS Group.

Apesar da retração no balanço geral, cresceu o número de participantes que compraram cotas para aquisição de veículos pesados, imóveis, serviços, eletroeletrônicos e outros bens duráveis.

“O agronegócio tem apresentado bons resultados gerais de produção e, por extensão, o setor contribui para a comercialização de máquinas agrícolas, implementos rodoviários e agrícolas”, completou Paulo.

Menos cotas

Quando se compara o primeiro quadrimestre de 2019 (janeiro a maio) com o mesmo período de 2020, o setor registrou uma queda de 12,1% nas vendas de cotas.

Abril foi o mês de maior retração nas vendas, como efeito da pandemia, mas as vendas já registram uma recuperação em maio e o setor espera que se repita em junho.

“A despeito da pandemia, as vendas de cotas deste quadrimestre apresentaram o 3º maior volume quando comparamos os dados de 2011 a 2020, o que mostra como o setor começou o ano extremamente positivo”.

Mais inadimplência

Já a inadimplência entre os contemplados apresentada tendência de queda desde julho de 2018, com alguns picos de alta ao longo desta trajetória, tendo atingido 5,35% em janeiro/2020, o menor índice registrado nesta linha do tempo.

Entretanto, a taxa passou a registrar tendência de alta e chegou a 6,28% e 6,24% em abril e maio, respectivamente, segundo dados do Banco Central.

“Estamos esperançosos e confiantes. Mesmo com as equipes de vendas trabalhando em home office, o setor está empenhado em retomar o mercado. Nós acreditamos que o consórcio, pelas suas características, contribui para o planejamento financeiro e permite que o consumidor, que deseja uma vida melhor no futuro, faça seus planos com um objetivo definido”, ressaltou Paulo.

Tecnologia de cobrança

Almir Lima, Diretor de Operações da VCOM Tecnologia, esclareceu que no segmento de software para o setor de cobrança, a empresa está empenhada fornecendo capacitação para colaboradores e inovação aos clientes, contribuindo para agregar transformação digital ao trabalho da cobrança.

“Nós estamos em um momento que requer integrações mais profundas. Todos os canais precisam estar integrados e convergentes para proporcionar ao cliente a solução de sua necessidade. Cobertura 24×7, canais automatizados como chatbot, integrado com funcionalidades como negociação, atualização cadastral e escolha de finalizações como “Já paguei”, “Não tenho condições”, “Comprei para terceiro”, entre outras. Tudo isso deve estar concentrado em um CRM, para que as ações sejam condizentes e complementares. É muito comum hoje, empresas terem algum tipo de finalização de atendimento e, mesmo assim, ligarem novamente ou mandarem SMS”, esclarece Almir.

O executivo explica que a integração de serviços de terceiros, como SMS, e-mail e demais mensagens, principalmente na resposta do cliente, é muito importante, porque novamente a empresa investe mais dinheiro em ações que, muitas vezes, foram respondidas e não interpretadas.

“Além da integração, entendemos também que as empresas precisam fazer uso de Analytics para descobrir padrões e, com eles, oportunidades de ter maior efetividade nas ações de cobrança. Acrescento que, estamos em um ótimo momento, de um lado, o consumidor ávido por canais digitais disponíveis 24×7 e as empresas, de outro lado, na busca incessante de reduzir custos. A tecnologia e automação pode unir esses dois pontos”, completa.

Outros participantes do webinar foram César Nogueira, Gerente Jurídico e de Cobrança, Rodobens; Celso Andriani – Sócio da Newcon; e Guilherme Costa e Silva, Gerente de Operações da Mapfre Seguros.