O assistente administrativo, Mario Rebellato, 68, REUTERS/Suzanne

Entre o primeiro trimestre de 2012 e o terceiro de 2015, o número de brasileiros com mais de sessenta anos de idade no mercado de trabalho subiu 18%, passando de 5,5 milhões para 6,5 milhões.

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) trimestral, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), refletem a necessidade dos brasileiros mais velhos de encontrar fontes de renda “além da previdência”, diz Antônio Carlos dos Santos, professor de economia da Pontifícia universidade Católica (PUC-SP).



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“Conforme os anos vão passando, essas pessoas vão perdendo em valor real [aposentadoria] e o custo proibitivo de remédios, de plano de saúde, e a necessidade de ajudar familiares faz com que elas continuem trabalhando”, explica o professor.

Santos ressalta ainda a “questão existencial” envolvida na decisão por seguir no batente. “Se trata de uma geração que dá muita importância para o trabalho, que começou a trabalhar cedo, a saída do trabalho para casa pode acabar sendo um problema. Eles precisam do trabalho para se sentirem úteis.”

Outro fator que favorece o aumento do número de empregados é o envelhecimento da população brasileira. Entre janeiro de 2012 e setembro de 2015, a quantidade de pessoas com mais de 60 anos no País disparou de 24,9 milhões para 29,1 milhões, aumento de 17%.

Crise para os jovens

A necessidade (ou a vontade) de seguir trabalhando e o envelhecimento da população não explicam, entretanto, o motivo de os idosos serem menos afetados pela crise econômica. Em 2015, na contramão do que foi visto em todo o País, o número de brasileiros com mais de 60 anos que tinham emprego subiu quase 3%.

“Alguns profissionais mais antigos, com mais experiência, são mantidos porque os empregadores não conseguem encontrar outros do mesmo nível no mercado de trabalho”, comenta Santos.

Os jovens, por outro lado, não escapam da crise. Entre janeiro e setembro de 2015, o número de trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos caiu 2%. Na comparação entre o final de 2015 e o início de 2012, a redução é ainda maior (-7%).

Segundo Tiago Cabral, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, a queda acontece “porque os jovens buscam empregos mais simples, de baixa produtividade, que têm sido mais afetados pela crise”.



Aposentadoria

O Brasil é o segundo país do mundo onde os executivos demonstram maior preocupação com a saída dos baby boomers do mercado de trabalho. A aposentadoria da geração formada pelos nascidos entre 1946 e 1964 poderia gerar “déficit de competências”, aponta pesquisa da Robert Half.

De acordo com o levantamento da consultoria, 93% dos diretores brasileiros ficam apreensivos com a questão, atrás apenas dos executivos de Hong Kong (95%). Na média global, o assunto preocupa 83% dos entrevistados.

Fonte:Portal Contábil


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