Que tipo de liderança o mercado contábil precisa?

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No mercado de trabalho qualquer profissional, equipe ou empresa são pressionados pela concorrência abundante e extremamente acirrada. No setor de contabilidade isso gera a necessidade de que os escritórios sejam diferentes em relação aos demais e, para isso, contar com uma direção hábil em liderar não é o bastante. É preciso que essa liderança seja inovadora.

Isso é possível captando as tendências de mercado e adequando-as ao seu ofício. Essa postura arrojada tem potencial para levar seu time a um  alto nível de comprometimento com o negócio em busca das metas mais desafiantes e resultados maiores e melhores.

Quando o assunto é liderança, conhecemos figuras que se tornaram referência, caso dos empresários Abílio Diniz (ex-sócio da rede de supermercados Pão de Açúcar), Luiza Helena Trajano (fundadora do Magazine Luiza), Jorge Paulo Lemann (um dos controladores da AB InBev), por exemplo. Esses profissionais criaram um legado respeitável para serem tão considerados, mas deixando de lado os fatores que os tornaram amplamente conhecidos, faça uma rápida busca em sua memória: deve recordar-se de como aquele colega de classe conseguia estimular o time de futebol (ou de qualquer outro esporte) em busca da vitória nos campeonatos interescolares, certo?

O líder genuíno é guiado por um alto senso de propósito e capacidade de envolver a equipe bem como conduzir as pessoas a alcançarem os resultados planejados, sempre dando o melhor de si.

O líder tem o senso de propósito muito apurado, como eu disse antes. Ele sabe o que deseja de seu trabalho e consegue enfrentar os desafios com energia, porque mantém o foco no objetivo final. Steve Jobs, Walt Disney e Henry Ford são exemplos de líderes com um grande senso de propósito, que canalizaram a energia para concretizar seus sonhos e motivaram seus funcionários a ajudá-los. Se não existisse um objetivo forte, não haveria como desencadear a ação nos outros.

O motivo da existência de um negócio deve ser algo em que o empreendedor (neste caso, você) acredita profundamente. Vale repensar nos motivos que levaram a ingressar nesse mercado ou nos desafios mais relevantes da sua experiência profissional, como ampliar a longevidade das MPEs, ser o principal consultor de negócios dos empreendedores da sua região ou ser o escritório referência para profissionais liberais, por exemplo.

Com essa definição será possível estabelecer prioridades com mais clareza, direcionar esforços, gerir melhor os custos e tomar decisões mais assertivas, mesmo em períodos de turbulência econômica. A cada novo desafio, seja guiado pelo pensamento “essa decisão me deixa mais perto do meu objetivo ou me desvia dele?”.

Imagine que você estruturou um processo de seleção para captar os profissionais mais adequados à dinâmica da sua empresa. Considerou, para tanto, aspectos comportamentais e técnicos. Você, no entanto, já parou (mesmo) para pensar por que essa pessoa escolheu se levantar todos os dias e ir trabalhar justamente na sua empresa?

Em artigo para a revista Exame, Maria Cristina Ortiz de Camargo, especialista em comportamento e professora na Business School São Paulo (BSP), conta que há pesquisas demonstrando que os funcionários trabalham para seus líderes e não para as empresas. A especialista afirma ainda que, independentemente do perfil de um indivíduo, seus fatores motivacionais estão em seus valores. Portanto, o líder precisa investir tempo para descobrir quais são esses valores e conhecer bem as pessoas que abraçam e lutam por causas semelhantes na empresa.

Ela garante que, para criar uma aproximação com seu time, existem duas frentes básicas, a formal, como um processo de avaliação de desempenho. A cada três meses (no máximo), reserve um espaço na agenda para ouvir as demandas de cada profissional para que todos se sintam parte importante do negócio. Já na informal, criam-se oportunidades para interagir mais livremente com seus colaboradores, como chamar para um almoço ou um café. Nessa hora, abra espaço para que eles falem sobre suas pretensões pessoais e profissionais. Sem o peso de uma reunião, você cria empatia e promove uma aproximação genuína.

Eu questiono a você, atualmente, como você investe e desenvolve seus colaboradores? Lembre-se que, no longo prazo, o objetivo do líder inovador é construir pessoas capazes de serem seus sucessores, de solidificarem e expandirem seu legado.

Muitos invejam quem tem o dom da palavra, mas você não precisa ser discípulo do Sílvio Santos para envolver seu time no seu ideal e saber como ser líder. Fazer perguntas frequentemente e ouvir as respostas com a devida abertura e atenção é fundamental. Não se trata de procurar problemas, e sim entendê-los para que (dentro do seu propósito) você seja capaz de identificar e direcionar as necessidades particulares de cada um.

Além disso a empatia, capacidade de se colocar no lugar do outro e sentir a situação como ele sente, é uma ferramenta poderosa para permear essa comunicação. Ela é capaz de conectar as pessoas em um nível mais profundo e pode ser a grande chave para você construir um vínculo verdadeiro com seu time.  

Imagine que Eduardo é um excelente funcionário, super organizado e com muito conhecimento técnico na área fiscal, mas ele tem um defeito: é, como se diz, “pavio curto”. Não tem paciência para explicar ao cliente (pela décima vez) como ele deve parametrizar os produtos para emitir a nota corretamente. Essa pode ser uma situação muito estressante para ele e pode acabar impactando negativamente a percepção que os clientes têm do seu escritório contábil. Ouvir o que o Eduardo tem a dizer e suas sugestões para aprimorar o processo vão ajudar a tomar ações que melhorem a produtividade e a satisfação dele.

O líder inovador se comunica de forma estruturada, e isso faz com que o funcionário se sinta amparado, criando uma relação de confiança entre líder e liderado. Juntos, vocês devem estabelecer as metas, acompanhar seu atingimento e fazer as adequações necessárias para que o propósito da empresa seja alcançado, ao mesmo tempo em que a realização do profissional também. Essa união de propósitos é um combustível fantástico para o escritório contábil.

Você percebeu que esta reflexão, na verdade está repleta de perguntas? Isso acontece porque líderes inovadores estão sempre se questionando sobre o que fazem, por que fazem e como fazem. Desconfiam permanentemente que podem ser melhores. Sem dúvida, o líder inovador promove sua profissão além dos limites do escritório. Ele vai buscar inspiração em histórias de sucesso de outras empresas e de outros mercados e incentiva que seus funcionários façam o mesmo com o objetivo de “pensar fora da caixa” e buscar, nos desafios, soluções de alto impacto.

Para finalizar, a liderança inovadora conecta as pessoas com os propósitos da empresa e estabelece uma dinâmica que favorece a criação de um time altamente comprometido. Até breve!

Matéria inspirada em: https://contaazul.com/contabilidade/blog/boas-praticas-lideranca-mercado-contabil/

Postagem:
retrato de Marcelo dos Santos, colunista ContaAzul

Formado em Ciência Contábeis, Marcelo dos Santos tem MBA em Administração Global pela Universidade Independente de Lisboa e MBA pela Fundação Getúlio Vargas. Ganhou diversos prêmios como o Marketing Company on Technology Marketing e Grandes Sacadas de Marketing. Atualmente, é Sócio & Head do ContaAzul para Contadores.